Introdução
A
fantasia há muito tomou emprestada a idéia de um
outro mundo da
mitologia,
lenda e
religião.
Céu,
Inferno,
Olimpo,
Valhala, são todos
universos alternativos diferentes do mundo físico familiar em que vivemos. A fantasia moderna freqüentemente apresenta o conceito como uma série de planos de existência onde as leis da natureza diferem, permitindo a existência de fenômenos
mágicos de algum tipo em alguns planos. Em outros casos, tanto na fantasia quanto na ficção científica, um universo paralelo é uma outra realidade única e sua coexistência com o nosso é um princípio usado para levar um protagonista da realidade do autor para a realidade da fantasia, tal como em
As Crônicas de Narnia de
C.S. Lewis. Ou esta outra realidade singular pode invadir a nossa, como quando a heroína inglesa de
Margaret Cavendish envia submarinos e "homens-pássaro" armados com "pedras de fogo" através de um portal do
Blazing World para a Terra, e espalha a destruição entre os inimigos da
Inglaterra. No filme
Labirinto do Fauno de
Guillermo Del Toro que mistura realidade da dor e da morte, com a fantasia literária em um conto de fadas. Na
Fantasia dark ou
ficção de horror, o mundo paralelo é freqüentemente um local oculto para coisas desagradáveis, e freqüentemente o protagonista é forçado a confrontar os efeitos deste outro mundo se infiltrando no nosso, como na maior parte do trabalho de
HP Lovecraft e na série de
jogos de computador Doom. Em tais histórias, a natureza desta outra realidade é freqüentemente deixada misteriosa, conhecida apenas por seus efeitos em nosso próprio mundo.
Usos na ficção científica
[editar]Outras dimensões
Embora tecnicamente incorreta e olhada com desdém por fãs e autores de
ficção científica hard, a idéia de outra
dimensão tornou-se sinônimo da expressão
universo paralelo. O uso é particularmente comum em
filmes,
televisão e
HQs e muito menor na prosa moderna de ficção científica.
[editar]Hiperespaço
Talvez o uso mais comum do conceito de um universo paralelo na ficção científica esteja no conceito de hiperespaço. Usada na ficção científica, este conceito se refere freqüentemente a um universo paralelo que pode ser usado como um atalho
mais rápido que a luz para
viagem interestelar. Os princípios para esta forma de hiperespaço variam de obra para obra, mas existem dois elementos comuns:
- ao menos um (se não todos) os sítios do universo hiperespacial correspondem a sítios em nosso universo, provendo os pontos deentrada e saída para os viajantes.
- o tempo de viagem entre dois pontos no universo hiperespaço é muito mais curto do que o tempo de viagem entre pontos análogos em nosso universo. Isto pode ocorrer por causa da velocidade diferente da luz, diferente velocidade da passagem do tempo ou os pontos análogos no universo hiperespacial são muito mais próximos um do outro.
[editar]Viagem no tempo e história alternativa
O uso mais comum de universos paralelos na ficção científica, quando o conceito é central para a história, é um pano de fundo e/ou conseqüência da
viagem no tempo. Um exemplo seminal desta idéia está no romance de
Fritz Leiber,
The Big Time, onde há uma guerra através do tempo entre dois
futuros alternativos, em que cada lado manipula a história para criar uma
linha temporal que resulte em seu próprio mundo.
[editar]História alternativa no Brasil
[editar]Usos na fantasia
[editar]Estranho numa terra estranha

Através do Espelho -- e o universo paralelo que Alice encontrou lá.
Os autores de fantasia freqüentemente querem levar personagens da realidade do autor (e do leitor) para o seu mundo inventado. Antes do
século XX, isto era feito com maior freqüência escondendo mundos fantásticos dentro de partes ocultas do universo do próprio autor. Personagens do mundo do autor podiam embarcar num navio e se descobrir repentinamente numa ilha fantástica, como faz
Jonathan Swift em
As Viagens de Gulliver ou no romance
Silverlock de
John Myers Myers ou serem sugados por um
tornado e aterrissar em
Oz, ou descer por uma toca de coelho e terminar no
País das Maravilhas. Estas histórias de "
mundos perdidos" podem ser vistas como os equivalentes geográficos de um "universo paralelo", visto que os mundos representados estão separados do nosso próprio e escondidos de todos, exceto daqueles que empreendem a difícil jornada até lá. O "mundo perdido" geográfico pode se converter num "universo paralelo" mais explícito quando o reino da fantasia se sobrepõe a uma seção do mundo "real", mas é muito maior dentro do que fora, como nos romances de
Robert Holdstock,
Mythago Wood e
The Bone Forrest (A Floresta de Ossos
, 1995, ISBN 9722110233).Depois de meados do século XX, talvez influenciada por idéias da ficção científica, muitos mundos de fantasia se tornaram completamente separados do mundo do autor. Um tropo comum é um portal ou artefato que conecta mundos, sendo um exemplo prototípico o guarda-roupa em
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa de
C.S. Lewis. A principal diferença entre este tipo de história e o "mundo perdido" acima, é que o reino da fantasia só pode ser alcançado por determinadas pessoas, ou em certas ocasiões, ou após seguir certos rituais ou com o artefato apropriado.
[editar]Entre mundos
A maioria das histórias neste formato simplesmente transporta um personagem do mundo real para o mundo de fantasia, onde o grosso da ação tem lugar. Qualquer que seja o meio utilizado (como a cabine de pedágio em
The Phantom Tollbooth de
Norton Juster), este é esquecido durante o transcorrer da história.
Todavia, em alguns poucos casos a interação entre os mundos é um elemento importante, de modo que o foco não está em um mundo ou outro, mas em ambos e sua interação. Depois que
Rick Cook introduziu um programador de computadores num mundo de fantasia, sua série de magia adquiriu constantemente maiores interações entre este mundo e o nosso. Em
Doc Sidhe de
Aaron Allston, nosso "mundo sombrio" possui um paralelo num "belo mundo" onde vivem elfos cuja história ecoa a nossa. Uma grande parte da trama lida com a prevenção da mudança na interação entre os mundos.
Margaret Ball em
No Earthly Sunne, retrata a interação do nosso mundo com Faerie, e os esforços da Rainha de Faerie para lidar com a lenta separação entre a Terra e seu mundo.
Poul Anderson retrata o Inferno como um universo paralelo em
Operation Chaos (
Operação Caos,
1971) e a necessidade de transferir massas equivalentes entre os mundos explica o porquê de uma "
criança trocada" ser deixado no lugar de uma criança raptada.
[editar]Multiversos da fantasia
A idéia de um
multiverso é tão fértil como assunto para a fantasia quanto o é para a ficção científica, possibilitando cenários épicos e protagonistas divinos. Entre os mais épicos e mais abrangentes "multiversos" da fantasia está o de
Michael Moorcock. Como muitos autores depois dele, Moorcock foi inspirado pela
interpretação de muitos mundos da
mecânica quântica.
[editar]Universo ficcional como universo alternativo
Existem muitos exemplos da idéia
meta-ficcional de ter um universo criado pelo autor (ou por qualquer outro autor) sido alçado ao mesmo nível de "realidade" que o universo com o qual estamos familiarizados. O tema está presente em trabalhos tão diversos quanto
Silverlock de Myers e
Number of the Beast (
O Número da Besta) de Heinlein.
Fletcher Pratt e
L. Sprague de Camp levaram o personagem Harold Shea na série
Incompleat Enchanter através dos mundos do mito nórdico, do
Faerie Queene de
Edmund Spenser,
Orlando furioso de
Ludovico Ariosto e do
Kalevala — sem sequer determinar realmente se os escritores criaram estes mundos paralelos ao escreverem seus trabalhos, ou receberam impressões destes mundos e então as escreveram. Em um interlúdio passado em "
Xanadu", um personagem afirma que este universo é perigoso porque o poema ficou inacabado, mas não fica claro se isto é ou não uma interpretação pessoal.
[editar]Terra dos elfos
[editar]Outros meios
A idéia de universos paralelos tem sido discutida em várias séries de TV, geralmente como uma história única ou episódio num enredo mais abrangente de
ficção científica ou
fantasia.
O exemplo mais conhecido e imitado é o episódio da série original de
Star Trek intitulado
Mirror, Mirror. O episódio apresenta uma versão alternativa do universo de
Star Trek, onde os personagens principais são bárbaros e cruéis a ponto de serem malignos.
A discussão mais famosa do conceito do universo alternativo em filme poderia ser considerado
The Wizard of Oz, de
1939, que representa um mundo paralelo, separando-se o reino mágico da
Terra de Oz do mundo comum filmando-o em
Technicolor, enquanto as cenas passadas em
Kansas foram filmadas em tons de
sépia.
Universos paralelos nos quadrinhos modernos têm se tornado particularmente ricos e complexos, em grande parte devido a problemas contínuos de
continuidade encarados pelas duas grandes editoras,
Marvel Comics e
DC Comics.
Uma pequena parte de
EarthBound envolve viajar para
Moonside, uma versão de universo alternativo da cidade de Fourside.
[editar]Lista de ficção utilizando universos paralelos/realidades alternativas
- H. Beam Piper, o autor da série Paratime, escreveu várias histórias lidando com realidades alternativas baseadas em pontos de divergência no passado distante. As histórias são geralmente escritas da perspectiva de uma equipe policial de uma realidade paralela, a qual está encarregada de proteger o segredo da transposição temporal (no Brasil, Octavio Aragão criou tramas semelhantes em seu universo ficcional da série Intempol).
- Os livros de Robert A. Heinlein dos anos 1980 desenvolveram a idéia de que todo universo paralelo é a ficção em algum outro universo (em inglês, World is Myth). Assim, os personagens interagem com personagens que, para eles, são ficção, como, por exemplo, a escritora Hazel Stone que interage com o seu personagem heróico John Sterling.
- Sliders lida com um grupo de viajantes involuntários que terminam "escorregando" entre várias Terras paralelas numa tentativa de descobrir o caminho de volta para seu próprio universo. As tramas inclem uma Terra na qual a população é controlada através de uma loteria, uma Terra na qual a maioria dos homens foi exterminada por uma guerra bacteriológica, uma Terra onde dinossauros ainda vivem e uma Terra na qual a população foi convertida em zumbis canibais. De acordo com o personagem principal, Quinn, existe um infinito número de universos onde diferentes decisões únicas foram tomadas de modo diferente, e mesmo um mundo onde a Terra formou-se diferentemente e orbita ao redor do Sol mais lentamente, retardando a linha temporal.
- Fringe a partir do fim da primeira temporada passa a mostrar uma realidade que se diferencia da realidade que conhecemos em alguns aspectos, onde o telespectador é capaz de ver, por exemplo, as torres gêmeas do WTC intactas no ano de 2008. O curioso é que pessoas e objetos podem viajar de uma a outra sem grandes consequências.
- Vários personagens da DC Comics viviam espalhados nas Terras Paralelas, dimensões que continham sua própria versão do planeta Terra. Este conceito foi extinto.
- O vídeo game Metroid Prime 2: Echoes apresenta o planeta Aether, o qual é atingido por um meteoro. Uma estranha substância energética dentro do meteoro (chamada Phazon), juntamente com a força do impacto, divide a realidade do planeta em dimensões de treva e luz. Samus, a heroína, deve viajar entre as duas dimensões, transferindo energia para a dimensão da luz antes que os dois mundos rivais destruam-se mutuamente.
- O vídeo game Silent Hill Contém um mundo paralelo ou alternativo, na qual esses mundos são reflexos dos pensamentos e emoções do personagem ou personagens em questão no jogo. Mas, além do "mundo alternativo", os monstros também são reflexos do estado emocional dos protagonistas.
[editar]Ligações externas
[editar]Em português
[editar]Bibliografia
- KAKU, Michio. Hiperespaço: uma odisséia científica através de universos paralelos, empenamentos do tempo e a décima dimensão. Rio de Janeiro: Rocco, 2000. Série Ciência Atual. ISBN 8532510469.
- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Do universo ao multiverso: uma nova visão do cosmos. Petrópolis,RJ: Vozes, 2001. ISBN 8532624952.