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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Importância da noite em uma festa Trance

Importância da noite em uma festa Trance


 Texto por DJ Thomas ( Daime Tribe )


    O ritual de uma noite inteira dançando é uma memória que corre profundamente dentro de nós todos. Uma memória que nos traz de volta a um tempo em que respeitávamos a grande Mãe Natureza e a todos os demais.

    Fazíamos nossos rituais ao redor de fogueiras, dançando com o intuito de canalizar as energias cósmicas até nós, de ficarmos mais próximos de nossos deuses ou apenas celebrar uma boa caçada. Nesses tempos, o Xamã era nosso guia através de outras realidades. Ele induzia as pessoas ao transe através de poções mágicas a base de ervas em ação conjunta com a música tocada por tambores, flautas, dijeridos ou vozes, de acordo com a cultura de cada povo.

    Mas com o surgimento de decretos durante a Idade Média, esses rituais pagãos foram reprimidos em diversas localidades do planeta pela mão da Igreja Católica, ressurgindo muitos séculos depois em nossa cultura ocidental através de diversas vertentes, entre elas a das festas TECHNO-TRIBAIS em Goa na Índia, nascendo então o GOA TRANCE e as FESTAS TRANCE.

    A festa TRANCE é como uma jornada XAMÃNICA em que o DJ (Xamã) conduz o público até o ÊXTASE DO TRANSE PSICODÉLICO, guiando todos através de atmosferas e realidades criadas por sua musica; um guia que te leva através da noite, através da escuridão e do infinito, atingindo as áreas mais obscuras do subconsciente humano, escolhendo músicas que tem como objetivo ir além.

    Existem momentos em que expor a agressividade através da música e da dança faz parte de todo o processo e após a agressividade, momentos de contemplação surgem com o nascer de um novo dia, momento de realmente celebrar. Sem esse processo completo, de uma jornada interior através da noite, o amanhecer e a festa perdem seu sentido de existência.

     A noite começa lentamente nos CHAISHOPS, encontrando amigos, preparando-se para mais uma jornada através da musica. É quando os DJs começam a construir a longa história de uma festa, tocando musicas mais lentas e crescendo lentamente até as 3 ou 4 da manhã, o momento de pico, a preparação para a explosão do amanhecer.

    Durante a noite o que se vê são as roupas fluorescentes das pessoas e uma decoração fluor feita para dar efeitos especiais à noite, sob luz negra. Assim que a escuridão da lugar à luz do dia, começamos a focar nossa atenção nas faces, reconhecendo pessoas no qual estivemos dançando a noite toda ao lado. É quando os sorrisos começam a ser trocados, espalhando-se pelo DANCEFLOOR até o momento em que o Sol se levanta e todos estão contagiados pela mesma energia.

    Mas para sentir todo esse processo do amanhecer, é preciso vivenciar a jornada através da noite, conhecer ambos os lados, vivenciar o processo desde o início. Como um filme, você deve assistir desde o começo.

    O filósofo taoísta Lao Tse, que viveu na China a mais de 2500 anos, descreve em um de seus versos do livro Tao Te Ching, o processo de vivenciar a dualidade para compreender o todo.


SÍNTESE DAS ANTÍTESES

"Só temos consciência do belo,
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
Porquanto o Ser e o Existir,
Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silencio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age.
Pelo não-agir.
E ensina sem falar.
Aceita tudo o que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza - e não se apega a sua obra.
Não se prende aos frutos de sua atividade.
Termina a sua obra,
E esta sempre no princípio.
E por isto a sua obra prospera."


    Portanto, para vivenciarmos completamente a grandiosa experiência de uma boa festa TRANCE é estritamente necessário conhecer ambas as partes (a noite e o dia) que trarão a compreensão do todo (a festa TRANCE) e assim voltarmos para casa completamente satisfeitos e renovados, prontos para a próxima !

    Resumindo em poucas palavras... de noite é quando você pode dançar como louco sem parar, surtar e fazer caretas na pista ou simplesmente fechar os olhos e delirar em suas visões. É o momento de libertar seus monstros através da dança, pirar na decoração, sair da realidade... enfim, "dançar como se ninguém mais existisse no mundo para ficar te olhando e fazendo comentários idiotas".

    Quem é das antigas sabe do que estou falando, o início de Trancoso... pista bombamdo às 2 da manhã, malabares, fogueira, lua cheia, chillum e muito mais... como as boas festas de Goa; na praia esperando o Sol nascer !!!

    As primeiras festas de São Paulo tinham essa cara tribal ! Era somente "party for fun" e nada mais. Hoje as festas viraram mais uma balada como qualquer outra. Já tem (des) organizador querendo fazer festa sem decoração e em baixo de uma tenda aglomerada de gente !
EU PERGUNTO:
"Porque vocês não vão fazer sua festa em um clube como qualquer outro em vez de sugerir coisas tão idiotas ??"

    Convido as pessoas que leram esse texto (principalmente os organizadores de primeira viagem) a refletir mais sobre o Trance e o futuro dele no Brasil, pois se não fizermos algo concreto, teremos em pouco tempo o TRANCE DO TIGRÃO e o fim trágico de algo maravilhoso... as festas de PSYCHEDELIC TRANCE.

História do Trance em Trancoso

História do Trance em Trancoso

 


TRANCE EM TRANCOSO

    O TRANCE ATERRISOU no sul da Bahia, em Arraial e Trancoso no começo dos anos 90, trazido pelo dj italiano Max Lanfranconi (Etnicanet/Celebra Brasil) e djs amigos em privates em casas e pousadas da região.
    Em 94 fez-se o 1º reveillon open air aberto ao público. Mas é na lua cheia de jan (capricórnio-cancer), que junto com um grupo de 50 estrangeiros vindos de goa à procura de novos lugares para festas, que acontece o 1º festival de 3 dias num sítio na foz do rio da barra, em Trancoso. Pela 1ª vez a festa, criação coletiva, contava com vários djs se revezando ,mais decoração grandiosa e malabaristas profissionais.Foi marcante e inesquecível !!!
    Dessa semente foram brotando as temporadas de 95/96/97/98, memoráveis raves de 3 dias no vegetal na praia de nudismo de Trancoso, capitaneadas por Miichele Petillo, um dos pais do trance na Bahia e no Brasil.
    Paulo Lopes(PT) conhecido como Paulo Cego, se torna residente das festas, e também Celso de BH, o 1º dj brasileiro a tocar por aqui, seguido por André Meyer e Mil (Daime Tribe/Klatu-SP) e Swarup e Ekanta, recém chegados de Amsterdam,os poucos brazucas entre a maioria de gringos. JP (TIP World) e Ata e Hiê (System Brothers) eram crianças que acompanhavam seus pais, se tornando depois os 1os djs nativos e crias de Trancoso e Arraial.
    99 foi o começo da explosão. As festas atingem 500 pessoas, brazucas de sp, mg,rj,go,df,sul e locais ultrapassam os gringos como público e djs brasileiros se igualam em No com os estrangeiros.
    O reveillon 2000 com 3000 pessoas é a consolidação da explosão, todos os grupos brasileiros iniciais se reúnem. Surgem as 1as festas seqüenciais em MG,RJ e SC, e os 1os Festivais Internacionais de trance do BR, Celebra Brasil(abr/00) e Trancendance (jun/00) e Earthdance em MG.
Festivais também se firmam em GO (Tranceformation e Kranti`s Níver, Ano Novo Maia e Conexão Trancoso x Alto)
    A partir de 2001 a cena se diversifica: Reveillons Trance além de Trancoso ocorrem numa ilha de SP, na montanha em RJ e a UP começa em Goiás!
Trancoso continua batendo recordes de festas, 12 de 3 dias  em 2 meses em 2001 e 2002. Mas a pressão do crescimento imobiliário começa a impossibilitar os festivais na praia. Pousadas, bares e condomínios     surgem, conflituando-se com as intermináveis maratonas musicais e dançantes.
    As festas são  forçadas a mudar para fazendas no interior, a temporada 2003 busca locais em outros municípios baianos, Caravelas, Itacaré, e com a mudança da Up pra Pratigi pro reveillon 2004, as festas de Trancoso passaram a ter apenas uma noite, exceção  honrosa a resistência da Lagoa Azul esses últimos anos.



COMO CONHECI O TRANCE

    Cheguei na Índia no verão de 89/90 e logo conheci as festas de goa psychodelic trance.De início me pareceram estranhas com suas sonoridades eletrônicas,embora as pinturas flúor e os malabares de fogo me fascinaram visualmente.Devagar passei a freqüenta-las,em goa levadas por Goa Gil (dentre outros) e em poona por Antaro(Voov/Spirit Zone)
   De volta ao Br e trancoso no verão de 94 soube que uma tal festa se passaria no sítio da Luíza italiana no rio da barra naquela noite de lua cheia de capricórnio-cancer.Corri pra lá e reencontrei Claudinha e Rosinha preparando o bar da festa e conheci Michelle italiano organizando a festa junto com 50 gringos vindos de goa,djs,decoradores, malabaristas,a procura de novos lugares. Conheci tb o dj Max Lanfranconi(etnicanet/Celebra Brasil)que durante minha estadia em goa inciara as 1*s festas trance do Br, então peq. Pvts em casas e pousadas de arraial d`ajuda.
   Minha entrada na produção de festas começou por onde se deve começar, por baixo! Ajudando a carregar cxs de cerva e de som através de mangues e pinguelas, e trepando em coqueiros pra amarrar os panos de decô. As festas cresceram devagar na 2* metade dos 90,memoráveis raves de 3 dias no vegetal, na  praia de nudismo de trancoso. Conheci aí Paulo Lopes(PT) e Celso(BH) o 1* dj brasileiro a tocar por lá,seguidos de mil e André Meyer (daime tribe/klatu-sp) e Swarup e Ekanta, recém chegados de Amsterdam,os pcos brazucas entre maioria de gringos.JP(tip world) e Ata e Hiê(system brothers) eram crianças que acompanhavam seus pais,se tornando dps os 1*s djs nativos e crias de trancoso e arraial.
   99 foi o ano do começo da explosão(completada em 2000). As festas de trancoso atingem 500 pessoas,brazucas de sp,df,go,mg e locais ultrapassam os gringos como público. Convido Rica e Feio,Michelli e Alba, e Swarup e Erinha pra fazermos 1 festival de trance em alto paraíso em jul .Minha idéia era fazer um encontro dos 2 núcleos iniciais de trance no br, o de trancoso e o de sampa. Rica compra a idéia,batiza a festa de Spadelic,traz 5 djs de sp e eu 4 de trancoso,e a festa de 10 dias acontecee em jul 99. Foi o 1* festival fora de sp e trancoso,e serviu de iniciação pra mta gente atuante na cena nos anos seguintes.
     Desde então as festas vêem se repetindo no moinho,alguns anos duas seguidas, batizadas de níver do kranti e ano novo maia. Chegou a haver uma 3* chamada conexão trancoso-alto. Por 4 anos encaixaram como after da Trancendance, e ainda continuam...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Historia do Psy Trance

Historia do Psy Trance

A Índia sempre foi um país de múltiplas facetas. Nesta terra singular situa-se Goa, na costa oeste, a aproximadamente 600 km ao sul de Bombay. Goa é um Estado e não uma ilha, como muitos pensam, e foi uma colônia portuguesa até 1962. Devido a isso, Goa tem até hoje uma forte influência cristã e difere das outras áreas da Índia em relação à liberdade, tolerância religiosa e diversidade cultural. Por causa do seu clima – média anual entre 20C e 34C -, suas praias quase desertas e sua cultura desprendida em relação ao dinheiro, em contraste com nossa civilização ocidental, Goa tornou-se um ponto de encontro internacional de “new agers”, místicos, anarquistas, filósofos, traficantes de drogas e pessoas interessadas em espiritualismo. Os moradores locais são amigáveis e receptivos aos visitantes. Assim, Goa tem sido um verdadeiro paraíso para jet-set hippies e viajantes mochileiros, todos conectados através do desejo de quererem ter uma posição fora do sistema ocidental, além de anciarem poder fugir do inverno gelado da Europa e EUA. Todos procuram em Goa o lado intenso e bonito da vida. E é claro que a música não poderia faltar nesse cenário. No início, as festas nas praias eram tomadas pelo rock psicodélico e pelo reggae. Estas festas se tornavam cada vez mais populares. Decorações feitas de cores fluorecentes e a mitologia indiana tornaram-se parte da vida de Goa. Entre 1987 e 1988 um DJ francês chamado Laurent teve a idéia de tocar música eletrônica nessas festas. No início ele teve muita oposição, mas com o tempo a faísca pegou fogo e a música eletrônica passou a ser parte da cena de Goa. Outras pessoas perceberam o imenso potencial desse tipo de música tocado em raves na praia. O DJ Goa Gill foi da Cailfórnia até Goa e eventualmente se tornou o maior protagonista da música eletrônica em Goa, mantendo esse título até hoje. Ele criou a conexão entre batidas eletrônicas, espiritualidade, yoga e música com o seu conceito de “redefinir o antigo ritual tribal para o século XXI”, guiando o público através do trance a um estado de consciência mais elevado. No início, era bem difícil conseguir fazer estas raves – os DJs tinham de tocar usando fitas cassetes de walkman. Naquela época os CDs ainda não eram populares e o calor e a poeira de Goa não eram propícios para o vinil. A música se desenvolveu para uma colorida mistura de Post-Wave, Electronic Body Music (EBM), New Beat, Front 242, Nitzer Ebb, variando entre música eletrônica belga, inglesa e americana. O início da cena techno e acid também chegou com força em Goa. O mês de abril trazia um calor insuportável, e as chuvas duravam até agosto, então as pessoas aproveitavam para voltar aos seus países de origem, levando e espalhando com eles a cultura de Goa, e também voltando para Goa com novas influências. Nessa altura, Goa havia se transformado num dos centros de música eletrônica mais inovativos do planeta, graças a ajuda do walkman e posteriormente do DAT (Digital Audio Tape). A grande gama de possibilidades que resultaram das experiências dos anos 80 (criar música psicodélica através do computador e de sintetizadores) causou uma inundação de criatividade que se espalhou pelo globo. Músicos como Johann Bley, do Juno Reactor, levaram computadores para Goa. Dessa união de diferentes pessoas de várias partes do mundo resultou um estilo mais individual que se tornaria conhecido como goa-trance. A reputação de Goa como um paraíso aumentava e trazia cada vez mais viajantes do mundo inteiro. Na Alemanha, as pessoas que se conheceram nas festas da Índia passaram a se encontrar regularmente a 30 km ao sul de Hamburgo num local desconhecido chamado Waldheim, entre 1989 e 1990. Era normal pessoas da Bavária irem nessas festas também. O lugar começou a ficar cheio demais, ao ponto das pessoas que não conseguiam entrar passarem a dançar no meio da rua mesmo. Nada andava, o trânsito ficava caótico, então o local teve que ser fechado. Nos pubs as pessoas começaram a planejar uma mega rave, então em 1991 foi feita a primeira Voov-Experience, com mais de 1500 pessoas. Johann Bley voltou para Goa junto com Youth, seu amigo de raves, até então conhecido como o parceiro de Alex Paterson no projeto ambient The Orb e baixista da banda Killing Joke, que lançou a primeira faixa oficial de goa-trance. O nome da música era Jungle High, lançado pelo selo Perfecto, de Paul Oakenfold, e se tornou num enorme sucesso nos charts da Inglaterra. Inspirado por isto, Youth lançou o primeiro selo de psy-trance. Utilizando as estruturas de estúdio de gravação do seu selo Butterfly, Youth batizou seu novo selo de Dragonfly. Este selo se tornou o primeiro da cena psychedelic trance de Londres. Simon Posford, engenheiro de som do Butterfly, criou o projeto eletrônico Hallucinogen. O primeiro lançamento do Dragonfly saiu em maio de 1993, uma coletânea com bandas como Genetic, Gumbo, TIP e Black Sun. A segunda coletânea, Project II Trance, foi lançada em agosto do mesmo ano e incluía faixas do grupo francês Total Eclipse e do Mandra Gora, produzido por Johann e Youth. No ano seguinte mais singles foram lançados e vieram as primeiras músicas do Hallucinogen. Man With No Name, Prana, Ayahuasca, Slinky Wizard e Doof foram outros grupos que surgiram em seguida. Em 1994 a cena psy-trance da Inglaterra havia se desenvolvido rapidamente, e festas grandes como Return to the Source aconteciam, enquanto inúmeros selos de psy-trance começavam a surgir. Os integrantes do Slinky Wizard fundaram o Flying Rhino Records. Simon Berry lançou o Platipus Records – o primeiro lançamento foi um vinil do Technossomy. O Platipus Records também lançou Children, do Robert Miles (esta música é considerada a de maior sucesso da história das paradas de sucesso trance até o momento) e álbuns vanguardas como There Will Be No Armageddom do Union Jack (1996), que incluía hinos trance como Red Herring e Cactus. O Blue Room Released havia se tornado ao mesmo tempo um dos mais brilhantes e misteriosos selos. Devido a um contrato com uma companhia de auto-falantes suíça, o selo conseguiu um bom suporte financeiro e seus lançamentos passaram a ser distribuídos por todo o planeta. Em abril de 1995 foi lançada a primeira coletânea tripla de trance em LP e CD, o Outside the Reactor, que incluía bandas como Spectral, Total Eclipse, Moog, Har-Eil, Voodoo People e Total Eclipse. Quando a banda X-Dream, de Hamburgo, lançou o single The Frog, a cena psy-trance atingiu o seu clímax, culminando em lançamentos como Bible of Dreams (Juno Reactor), As a Child (Delta) e o álbum Dragon Tales do Kox Box. Apesar da Inglaterra ter liderado a cena trance por anos, por causa da sua cena underground desenvolvida, as raves foram proibidas pelo governo e quase sumiram por completo. Como raves ao ar livre são essenciais para o trance, que demanda um contato mais direto com a natureza, a cultura trance inglesa foi abafada, porque as festas só podiam ser realizadas em locais fechados e tinham de terminar cedo. Ao mesmo tempo, a Alemanha se tornara um paraíso para raves, devido às suas leis mais liberais e a recente queda do muro de Berlim, que teve um grande impacto no crescimento da cena alemã. Enquanto isso, a fama de Goa se espalhava cada vez mais pelo mundo, resultando num fluxo muito grande de turistas. Em 1998 havia quatro vezes mais o número de turistas do que em 1994. Assim a longa relação cultivada entre os ravers e moradores foi destruída. Tudo passou a custar mais caro, pois os indianos perceberam o imenso potencial financeiro que aqueles visitantes de países abastados estavam trazendo para Goa. O espírito original de Goa sumiu feito fumaça em pouco tempo, e a irmandade deu lugar para DJs egoístas, competições, lutas por território e ignorância. Paralelamente, tudo estava se tornando maior na cena psy-trance européia. Os festivais Voov-Experience e Shiva Moon recebiam mais de 10.000 pagantes. Muitas organiz
ações menores começaram a aparecer, resultando num mercado saturado de raves, principalmente na Alemanha. O mainstream, a mídia e grandes empresas passaram a perceber o “fenômeno Goa”, apesar do seu auge já ter passado. Cegados pelo sucesso, muitos antigos alternativos de Goa se tornaram estrelinhas arrogantes, com muitos DJs agindo como se fossem deuses. Resumindo: a decadência havia batido na porta da cena goa-trance da Europa. Em outubro de 97 Matsuri marcou o fim do goa-trance com a coletânea Let It R.I.P. As vendas diminuíram drasticamente, a falência da distribuidora inglesa Flying deixou um buraco na cena de selos. Quase todos os selos ingleses tiveram de fechar suas portas, pois não estavam mais conseguindo pagar suas despesas, ou então ressurgiram com nomes diferentes. Ao mesmo tempo, novos conceitos e idéias surgiram, combinando elementos de trance, techno e house. Na Alemanha já existia uma cena de músicos e produtores como Digital Sun / Tarsis, Ouija, Earth, Ololiuqui, Shiva Chandra e muitos outros. Com o festival Voov-Experience como o seu ponto de encontro anual, esta nova face da cena trance rapidamente se alastrou pelo resto da Europa. Muitos suecos se contagiaram com este achado musical e desenvolveram a sua própria cena progressiva. O primeiro e mais conhecido deles foi o Atmos, projeto eletrônico fundado por Tomasz Balicki. Através de um single lançado pela Eve Records (Body Trance), ele fez contato com Cass Autbush, que junto com James Monro estava reestruturando o selo Flying Rhino. A música Klein Aber Doctor do Atmos foi um dos maiores sucessos lançados pelo Flying Rhino até aquela data. O novo tipo de som progressivo deu à cena um novo frescor. Até selos mais “conservadores” como o Dragonfly renderam-se ao trance progressivo. Depois do lançamento de um álbum através do selo Novatekk, a banda sueca Son Kite conseguiu aumentar a plataforma para lançamentos de mais bandas suecas. Com isso, o trance progressivo se expandiu rapidamente pelo mundo. Paralelamente, o psy-trance conseguiu manter sua chama acessa em Israel, graças a um novo acordo político entre Israel e a Índia que permitia aos israelenses obterem vistos para a Índia. Como o serviço militar de Israel é muito rígido (todos, ao completarem 18 anos, inclusive mulheres, são obrigados a servirem o exército por pelo menos três anos), muitos jovens passaram a anciar por momentos de relaxamento total, de preferência em locais paradisíacos. Assim, as praias da Índia foram invadidas pelos israelenses, que passaram a desenvolver a sua própria cena psy-trance. Rapidamente uma cena forte se estabeleceu, com DJs e músicos como Avi Nissim, Lior Perlmutter, Analog Pussy, Har-Eil e Giu Sebbag. O trance israelense atingiu seu pico com o lançamento do primeiro álbum do grupo Astral Projection, “Indoor”. Em nenhum outro lugar do mundo o psy-trance conseguiu tanta popularidade, ao ponto de tocarem em rádios e atingirem as paradas de sucesso de Israel. A cena psy-trance também começou a se desenvolver em outras partes do mundo. O Brasil é considerado um país com cena forte. As primeiras raves aqui foram feitas pela WTF (World Trance Family), uma organização que tem feito raves em locais afastados dos centros urbanos de São Paulo. Rica Amaral, de São Paulo, é o DJ de psy-trance mais conhecido do Brasil. Ele também produz uma das raves de psy mais bem sucedidas do país, a XXX-Experience. A Incense foi a primeira festa psy-trance do Rio (residida por Kandle). DJs como Fluorenzo, Matera, Penélope, Ricardo NS etc também têm levado o psy-trance para várias festas do Rio e de outras cidades. Na Austrália, Byron Bay tem organizado as maiores raves. A cena também é forte no México, na África do Sul, na Tailândia, no Japão, no Canadá, nos EUA, na Suíça, na Áustria, em Portugal, na Grécia etc, e tem continuado a crescer cada vez mais em outras partes do globo.